quinta-feira, 2 de maio de 2013
RESENHA: Ética e história
sábado, 23 de março de 2013
RESENHA - Tudo que é sólido desmancha no ar - BERMAN, Marshal.
RESENHA
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Rio de Janeiro e o pêndulo da moral e da justiça
Com o assassinato da Juíza Patrícia Acioli, o Rio de Janeiro torna-se mais uma vez protagonista de uma cena, infelizmente, corriqueira: o crime que, falseado por uma imagem de controle e regularidade, apresenta-se como peso maior no desequilíbrio jurídico -moral.
A impressa mostrou, através de sólida documentação, que a magistrada havia solicitado um maior efetivo para a sua segurança pessoal. Isso não ocorreu, foi-lhe disponibilizado o insuficiente. No entanto, há quem alegue que tal solicitação não havia chegado aos setores competentes, por isso não houve alteração em tal quadro.
No entanto, os fatos corroboraram o suposto. Até o presente momento, pelo que foi publicado até aqui, 19 de agosto, já houve 127 ligações no disque-denúncia. O que se fez constatar que presos, com ligações aos grupos que exploram máquinas de caça-níqueis e milícias, seriam os prováveis organizadores dessa trama.
Dado a repetição de fatos dessa natureza, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, autoridades que lidam com esses tipos de criminosos não deveriam solicitar segurança, essa deveria estar implícita na própria prática de combate à alta periculosidade criminal.
Enquanto o prenúncio revelava óbvio, pareceu-nos que as atitudes se ocultavam. Evidenciava-se que a situação da Magistrada era vulnerável. Não poderia ter-se esperado o ocorrido para se constatar a lacuna da não tomada de decisão.
Quando a justiça, que pretende regular a ação do cidadão, não garante proteção àqueles que exercem o principal papel de regulador, a questão não está na justiça, está na moral.
A interdependência entre moral e justiça é o pêndulo da razoabilidade na convivência social. Na insuficiência da moral, o pré-requisito é o justo; na deficiência desse, a recorrência é a moral, princípio condutor da jurisprudência. Mas parece-nos que o descompasso é acentuado. Pelo menos é o que se apresenta diante dos fatos e das ameaças que sondam a vida de outros que, como Patrícia Acioli, também se expuseram na intenção de garantir dignidade ao cidadão.
Quando nem a justiça consegue dar ordem ao que se constata imoral, a condição social é mais instável do que se possa imaginar. Esse é o risco dessas aparentes regularidades.
A VIOLÊNCIA NA ESCOLA E AS AÇÕES EFETIVAS PARA UMA CONSCIÊNCIA EM FAVOR DA PAZ
A discussão sobre violência na escola é complexa, pois envolve vários aspectos da vida social. A violência não surge simplesmente por conflituosas relações entre professores e alunos ou entre a escola e estudantes, ou ainda entre os próprios estudantes ou entre eles e seus familiares. Há vários fatores que influenciam na intensificação da violência, assim com há várias formas de sua manifestação.
Há manifestações que são objetivas e visíveis que, mesmo sendo difícil de se combater, é possível verificar seu foco e interferir no seu processo, identificando a gênese ou os motivo mais relevantes de seu surgimento.
Essas violências são demonstradas diariamente nos meios de comunicação, diríamos que até de forma extravagante. Porém há uma outra dimensão de violência que “corre por baixo”, é invisível aos olhos comuns, não perceptíveis nas aparentes relações solidárias das sociedades e em particular nas escolas. É necessário uma percepção apurada e precisa para percebe-las. Essa violência talvez seja a mais perigosa, pois ela efetiva a discriminação e enraíza o preconceito de maneira “harmoniosa”, ela delimita os espaços de poder entre professor e aluno, entre escola e família e estratifica as relações no interior das instituições escolares.
A violência nos é incomoda, as vezes insuportável, por isso tem crescido o número de ações que procuram diminuir seu poder. Desta forma, quando pensamos em violência, involuntariamente nos surge a idéia de sua contraposição, e o que se contrapõe à violência é a paz, por isso tem crescido os movimentos pela paz. Mas, o que é a paz? Seria o fim da violência? Seria a convivência harmoniosa e, numa perspectiva cristã, a efetivação de uma irmandade realizadora do amor e da solidariedade fraterna?
Ora, se a violência, de alguma forma, é a presença da intolerância, do desrespeito à convivência democrática das diferenças e, por conseguinte, da falta de diálogo, podemos pensar que uma situação contrária a esta facilitaria as experiências de paz. Assim chegamos a subjetividade da paz. A paz não é uma coisa, assim como a violência também não o é. A paz é uma possibilidade, uma situação dialogal onde se privilegia o entendimento, portanto quando o diálogo é desprezado a intolerância e a violência se revigoram.
Notamos então que a violência só pode ser combatida com o diálogo e com a efetivação democrática das relações. A isso, no que se refere à sociedade, denominamos cidadania. Aprimorando-se tais percepções facilita-se a identificação de discursos demagógicos e fortalecem-se as intenções que priorizam convivências em favor da cidadania.
Uma educação que combate a violência, privilegia o diálogo, efetiva projetos que intensificam tal possibilidade. Por isso não é fácil, pois falar tanto de violência como de paz, implica em destituir castas de poder que se efetivaram ao longo de toda nossa história, significa desfazermos de poderes que se impregnaram no âmago de nossas vidas, micropoderes que se manifestam nas mais intimas relações e que se dissipam por todos os níveis das relações de toda e qualquer sociedade contemporânea.
Um projeto de combate à violência na escola tem que envolver professores, alunos, funcionários e familiares numa ampla discussão sobre as maneiras de violência que se manifestam na sociedade, nos colégios e nos lares. Procurando destacar principalmente aquela violência que se esconde aos nossos olhos, aprofundando a reflexão sobre os papeis de cada um na construção de relações que favoreçam o diálogo e a convivência pacífica.
Várias escolas têm adotado trabalhos similares fazendo palestras para pais, debates com professores, alunos e sociedade, organizando encontros da comunidade com autoridades policiais, civis e políticas. Debatendo os principais aspectos da violência nos vários setores da vida social: violência nos lares, contra as crianças, contra as mulheres, contra os índios, os negros e demais grupos sociais ou minorias étnicas.
A experiência pode ser muito enriquecedora. É certo que tais ações não diminuem os índices de violência. Mesmo porque não é possível efetivar projetos dessa proporção em ações isoladas ou restritas a uma escola. Entretanto, ao levantarmos a discussão e despertarmos em nossa comunidade, em nossos alunos, em nossos professores e em nós mesmo a consciência de que a violência se potencializa quando o diálogo é desprestigiado, se conseguirmos fazer com que essas pessoas reflitam sobre suas ações e seus compromissos na efetivação de uma sociedade solidária na busca de um estado de paz, cumprimos nosso papel de educadores e efetivamos o compromisso que toda escola tem com a formação e a educação para a cidadania e para a democracia.
Afinal, educar é um ato que sempre visa o futuro, ninguém educa para hoje. O passado e o presente são os instrumentos que o educador tem na edificação da sociedade que ele, aprioristicamente, já elaborou dentro de si.
Sandy. Essa moça é de família?
Assistimos nos últimos dias à notícia que a cantora Sandy, em entrevista à revista “Playboy”, teria comentado sobre uma de suas preferências quanto à prática do sexo, no caso, o anal. Posterior a esse fato, noticiou-se um possível comentário de seu pai, o cantor Xoxoró, em que lamentava o pronunciamento de sua filha, subentendo-se que, no primeiro caso, a cantora, que sempre demonstrou uma sólida formação moral, estaria “libertando-se” dessa condição. No segundo, em entrevista à Folha de São Paulo, o pai demonstraria estar decepcionado com a declaração, pelo fato de ter sido frustrado seu pretenso empenho paterno-familiar de possibilitar uma permanente integridade moral para a filha. Sonho que todos os pais e mães, quando dedicados a esse afinco, constroem sobre o futuro de seus filhos.
Nenhuma coisa nem outra. Nas duas situações os fatos foram distorcidos em função da publicação de frases deslocadas do contexto das entrevistas e das respostas dadas.
Ao ler e ao ouvir as entrevistas em suas totalidades, disponibilizada no próprio site da revista playboy, pode-se constatar que a cantora não havia feito essa afirmação, mas sim respondido a uma pergunta na qual se solicitava a sua opinião sobre essa prática sexual. A resposta foi enfática ao afirmar que essa questão era de fórum íntimo e que, portanto, cada um faz a sua escolha e que, pelo mesmo motivo, também não entraria nesse tipo de comentário.
Já no caso do cantor Xororó, o mesmo não teria se decepcionado com a filha, mas sim afirmado com veemência que, mesmo sem ter lido a entrevista e confiando na sua forma de educar, tinha certeza que sua filha não teria feito essa afirmação e que tal publicação certamente encontrava-se deslocada do conteúdo geral da entrevista.
Sem entrar no mérito da postura ética dos responsáveis pelas publicações, o que demandaria um comentário distinto do que se pretende aqui, notamos que, nas duas situações, fica demonstrada a solidez de uma formação moral. A filha se priva de comentário que possa fragilizar essa formação e o pai, seguro de seu papel moral, não tem dúvidas quanto à postura da filha.
O que se evidencia nesse ocorrido é que a formação moral de uma pessoa constrói-se ao longo de sua vida e que, quando edificada com confiança e com segurança, não se abala mesmo em situações em que se possa colocar em risco tal solidez.
Está aí a possibilidade de tirarmos desses fatos um bom ensinamento, ensinamento, aliás, que se faz presente há muito tempo: “Aquele que educa seu filho terá nele motivo de satisfação[...]” Ecl 30, 2.