domingo, 18 de setembro de 2011

Nas contendas de polícia e ladrão, quem aprende é o cidadão.

Nas contendas de polícia e ladrão, quem aprende é o cidadão.

A semana passada assistimos a mais um triste episódio. Um ônibus seqüestrado por assaltantes, depois de abordado pela polícia, passou a receber tiros, já constatados pela perícia, partidos de fora para dentro. Como do lado de fora só estavam presentes transeuntes e policiais, obviamente se deduz que os tiros partiram desses e não daqueles.

No momento em que a polícia deveria ter o máximo de cuidado em preservar a vida dos cidadãos que se encontravam no ônibus (e na rua), entraram numa disputa irresponsável com os assaltantes, atingindo assim vários passageiros, o que demonstra total despreparo desses profissionais.

No preparo dos militares, são acrescentados conhecimentos relativos às leis e aos procedimentos éticos, especificamente consta como disciplina: “Ética e Direitos Humanos”. Pelo menos foi o que pude constatar numa pesquisa que fiz sobre os conteúdos curriculares da formação militar. Entretanto parece não ser suficiente.

A intenção da inclusão da ética, em qualquer escola, é ampliar conteúdos já fixados na formação sócio-familiar. Quem não os possui, não conseguirá desenvolvê-los num curto período de formação. Ética e moral são valores que não se aprendem nem se apreendem somente numa escola, ainda mais de adultos. Esses valores são construídos durante a educação e formação do indivíduo.

Parece-me então que, no processo seletivo e, posteriormente, formativo, não basta incluir conhecimentos normativos sobre esses valores. Talvez seja necessário incluir, nessas seleções, avaliações mais aprofundadas sobre o histórico moral desses candidatos, tendo os mesmos que demonstrar, através de algum instrumento, seus reais valores.

O princípio maior da ética é a preservação da vida, seja a ela de cidadão comum, policial ou ladrão. Salvo os cidadãos comuns envolvidos no assalto ao ônibus, os demais, que participaram desse episódio, demonstraram que esses princípios se encontram em baixo relevo e, no caso dos seqüestradores, em relevo nenhum. Diante dessa situação e condição, a nós cidadãos, restam-nos poucas alternativas.

Depois de um longo período de violações dos direitos humanos na história de nosso país, é lamentável que continuemos na insegurança. Se há verdade quando se diz que “quando não se aprende no amor, aprende-se na dor”, e se existe algo de pedagógico nisso tudo, desse adágio certamente nos cabe, como cidadãos, apenas a segunda parte.

Walter Fajardo

Mestre em Educação

Professor de Filosofia e Ética da Faculdade Santa Marcelina

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